Há 7 anos tive meu mais significativo encontro com a morte: minha mãe morreu no dia 12 de setembro de 2001, de um infarto fulminante do miocárdio.
Toda a minha estrutura psicológica ruiu naquele dia. Todos os meus sonhos, minhas buscas haviam sido construídas em torno da figura materna, que representava, em minha história de vida, tudo que eu podia reconhecer com o nome de amor. Tive de minha mãe todo o afeto, todo o carinho, toda a atenção que um ser humano pode desejar. Ela me amava de verdade. E eu a amava profundamente, com todo o meu coração.
Com sua morte, tive que repensar a vida, meus objetivos, meus sonhos, meus valores. Foi o momento decisivo de minha transição para a idade adulta, embora eu já tivesse 28 anos de idade.
Andei um tempo perdido, sem rumo, buscando. Buscando em outras pessoas, no trabalho, na religião, algo que preenchesse aquele enorme vácuo existencial que eu sentia. Era um ser humano falido, fracassado. Cheio de sucessos na vida material, mas completamente e irremediavelmente infeliz. Até que eu percebi que eu estava buscando no lugar errado.
Se Deus existe - e eu sei - ele estava dentro de mim. Eu busquei o caminho do auto-descobrimento, da auto-consciência, despojando-me das máscaras e buscando a verdade de minha pópria vida. Ao longo dos últimos cinco anos, fui limpando o caminho que conduz ao coração, passando pela dor e pela tristeza.
A busca não se encerrou ainda.
Ainda tenho muito o que ser...
Hoje, desencarnou uma amiga do grupo espírita, que vinha há um mês combatendo um câncer. Deus te abençoe em tuas novas buscas, Lícia.